MWC 2012 corre atrás do espírito perdido de Steve Jobs

A Apple não expõe no MWC, mas o modo de pensar de Steve Jobs estará presente na maior feira de mobilidade do mundo
Foto: AFP



RAFAEL MAIA
A Apple é uma das poucas gigantes da tecnologia que não participam da maior feira de mobilidade do mundo, o Mobile World Congress (MWC), que se realiza de 27 de fevereiro a 1º de março em Barcelona, na Espanha. Mas é o espírito da convergência, dos smartphones e dos tablets trabalhado por Steve Jobs nos seus anos à frente da companhia da Maçã que será refletido no MWC deste ano. A tecnologia em convergência é a palavra de ordem entre os mais de 60 mil participantes da indústria sob o ar catalão.
Para a empresa de análise de mercado Strategy Analytics, as mais de mil empresas que irão exibir produtos ou soluções na feira se perguntarão duas questões: "por que as companhias não se saíram tão bem quanto pensavam?" e "o que eles irão fazer de diferente para poder melhorar a posição no mercado?". A resposta, além da convergência, está na última Consumer Eletronics Show (CES), realizada em Las Vegas, EUA, em janeiro de 2012.
Segundo o The Wall Street Journal, a espessura dos aparelhos será uma das estrelas do MWC com smartphones, tablets e notebooks ultrafinos, já rascunhados na CES. Das promessas, contam o novo portfólio de telefones da taiwanesa HTC, uma atualização do Asha, Windows Phone da Nokia, e uma série de aparelhos com a tecnologia de velocidade super-rápida LTE da LG, assim como dispositivos capacitados para o 4G. Fica de fora, no entanto, a aguardada atualização do Galaxy S II, que, segundo a própria Samsung, as pessoas não verão durante o MWC. A Blackberry também matou as expectativas de apresentação do novo BlackBerry 10.
A presença "silenciosa" do espírito perdido de Steve Jobs, atrás do qual as companhias que procuram se dar bem no mercado correm - a exemplo da Samsung e dos muitos casos de briga judicial por patentes com a Apple - estará mais do que viva em Barcelona, em 2012. O modelo da companhia da maçã e o olhar de Steve Jobs são os mais bem-sucedidos no mercado de mobilidade mundial. Segundo a empresa de pesquisa Enders Analysis, um usuário médio do iOS - o sistema operacional para dispositivos móveis da Apple - gasta em torno de US$ 1 por mês com aplicativos, que custam, em média de US$ 0,99 a US$ 1,99.
Nenhuma outra empresa, nem mesmo o Google com o Android, conseguiu criar um ecossistema de tamanho sucesso financeiro como o de Steve Jobs - até porque o Android é gratuito e a natureza "livre" do Google e do sistema operacional do gigante das buscas pode influenciar na relação que o usuário tem com a companhia. O modelo de "ouro" para os negócios é o da Apple, que acostuma o usuário a pagar pelo que possui e "o cerca" com um software-chave desse ecossistema, que é o iTunes, a partir do qual o usuário da companhia pode sincronizar tudo nos diversos dispositivos que possuir da Apple.
É bom esperar por uma batalha entre sistemas operacionais e de redes
Durante anos, falar em hardware e software como uma única plataforma em um dispositivo móvel era algo distante. "Agora isso é tangível", afirmou Neil Mawston, da Strategy Analytics, em entrevista ao The Wall Street Journal. "Quase todos os dispositivos no planeta têm algum tipo de computadorização ou são feitos para serem móveis", disse, exemplificando que, no passado, o MWC tinha basicamente empresas de telefonia tradicional. Hoje, companhias de tecnologia, de carros, de eletrodomésticos e até firmas de marketing fazem parte da feira.
Isso torna o MWC de 2012 voltado para os sistemas operacionais e para as redes, que interligam as peças e levam a internet para as coisas. As novas tecnologias de conexão super-rápida, LTE e 4G, estarão no centro das atenções neste ano. Diversas empresas, como a LG e a HTC, investirão fortemente em dispositivos wireless e com processadores quad-core, que garantem uma performance de maior velocidade de processamento de dados.
A estrela nessa área será mesmo o Android, o sistema operacional do Google, que chega para competir diretamente com fabricantes de eletrônicos como a Nokia e de soluções de telefonia, como a europeia Vodafone, visando ao objetivo da convergência e da criação de uma rede que unifique diversos tipos de dispositivos. A grande dúvida que resta para o Mobile World Congress é como um sistema operacional "livre", que sustenta atualmente a existência de elefantes da tecnologia, como a LG, a Motorola e a Sony Ericsson, por exemplo, conseguirá unir um modelo de convergência a um modelo de negócios que gere lucro para as companhias sem esbarrar no espírito perdido de Steve Jobs.

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